Vazamento saiu de dentro da operação, aponta GAECO; quem avisou o advogado ainda é incógnita

Carro de Amilton Ferreira de Almeida rodou pelo Jardim Veraneio, onde fica a sede do MP, três minutos antes de ligar para o delegado; promotores dizem que informação escapou depois da chegada das equipes de apoio da PM e da Corregedoria

A denúncia da segunda fase da Operação Infiltrados responde quem avisou o delegado Hoffman D’Ávila de que seria preso, mas deixa em aberto a pergunta que interessa à cúpula da segurança pública do Estado: quem avisou o advogado. O GAECO sustenta que o criminalista Amilton Ferreira de Almeida obteve a informação sigilosa “ao que tudo indica após a chegada na sede do GAECO das diversas equipes externas que participaram das diligências” e cita nominalmente “grupamentos específicos da Polícia Militar e da Corregedoria da Polícia Civil”.

A janela é estreita. As equipes se concentraram na sede do grupo, no Jardim Veraneio, a partir das 3h30 da madrugada do dia 24 de setembro. Às 4h38, um radar do Sistema Alerta Brasil, do Ministério da Justiça, já flagrava a Hilux cinza do advogado, placa QAM3C47, em circulação na Avenida Olavo Vilela de Andrade. Às 4h57, o veículo passou pela Avenida do Poeta, no Jardim Veraneio. Às 5h, o telefone do advogado fez a primeira tentativa de chamada para o delegado.

O horário dos deslocamentos coincide com o instante em que o cerco começou a sair do papel. A denúncia registra que as equipes iniciaram o deslocamento para os endereços dos alvos exatamente às 5h.

DEZ POLICIAIS ALVOS

A peça acrescenta um dado que amplia o alcance do vazamento: a operação contava com “inúmeros policiais civis da Corregedoria” e, além de Hoffman, “outros 9 policiais civis foram alvos”. Nenhum dos outros deixou de ser localizado, só o delegado Hoffman.

Screenshot

Um segundo canal de comunicação do delegado naquela madrugada permanece sem identificao. O número xxxx-5501, cadastrado em nome de terceiro, trocou quatro mensagens de texto com Hoffman entre 5h04 e 5h05, as primeiras enviadas de um Android segundos depois de o delegado desligar com o advogado, fez uma videochamada de 4 minutos e 27 segundos às 5h07, mandou nova mensagem às 5h13 e recebeu outra videochamada do delegado, de 3 minutos e 16 segundos, às 5h32, quando a polícia já estava dentro da casa. Para o GAECO, o dono dessa linha “auxiliou” Hoffman “na ocultação de provas” e “certamente integra, coopera ou comercializa com a organização criminosa”.

A interceptação, ressalva o próprio relatório técnico anexado à denúncia, “se limita aos metadados”: prova a existência, o horário, a direção e a duração das comunicações, não o que foi dito. A acusação de que o advogado transmitiu o aviso da operação é, portanto, inferência dos promotores a partir da cronologia, inferência que eles consideram “evidente” diante do que veio em seguida: a saída do delegado de casa às 5h18, doze minutos antes de a polícia entrar.

A denúncia foi oferecida contra os dois, mas o texto fala em “outros agentes ainda não identificados” e avisa que as análises continuam.

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