29 de novembro de 2021

Diretor de filme sobre índios de MS é condenado por racismo

Após denúncia do Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal em Mato Grosso do Sul condenou o cineasta Reynaldo Paes de Barros à pena de dois anos de reclusão e multa pelo crime de racismo em razão do induzimento e incitação ao preconceito e à discriminação contidos em diálogos e cenas do curta-metragem “Matem…Os Outros!”, por ele roteirizado, dirigido e produzido em 2014.

O filme realizado por Reynaldo Paes de Barros, com uso de R$ 40 mil obtidos por meio do edital Fundo de Investimentos Culturais de Mato Grosso do Sul (FIC/MS), retrata basicamente um diálogo travado entre quatro personagens principais, um casal que dá carona a dois fazendeiros rumo ao município de Sidrolândia (MS).

Durante a conversa, os produtores rurais expõem seus sentimentos em relação aos índios, veiculando ideais preconceituosos e um discurso repletos de ódio étnico, referindo-se aos indígenas com um amplo repertório de termos pejorativos e depreciativos.

Nos minutos finais, a incitação à violência é escancarada. Um dos personagens, que se diz profundo conhecedor do tema, inclusive tendo apresentado tese de doutorado sobre o assunto, sugere que um “banho de sangue” seja a solução para o quadro de conflitos relacionados às terras indígenas.

Ao sentenciar o réu à pena de dois anos de reclusão e multa pelo crime de racismo, a 2ª Vara Federal de Dourados destacou que “o que faz do filme um meio de incitação à discriminação é seu conteúdo, e não o tema abordado”. Haja vista que uma obra artística pode apresentar opiniões, dados técnicos ou críticas comportamentais a determinados grupos sociais, mas devem ser feitos sem a disseminação de ofensas ou discursos discriminatórios.

O MPF recorreu da decisão pois entende que o caso possui circunstâncias peculiares que justificam a majoração da pena. Tal como o fato do filme ter sido patrocinado com recursos públicos e exibido em mostras e eventos da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, com ampla divulgação e reprodução em espaços pertencentes a órgãos públicos, difundindo ideias racistas de maneira mais gravosa. Além disso, o MPF pede a aplicação do agravamento da pena previsto no Estatuto do Índio por se tratar de crime de racismo contra comunidade indígena.

Liberdade de expressão x dignidade da pessoa 

Em maio de 2020, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), ao julgar ação promovida pelo MPF, já havia reconhecido o caráter discriminatório do filme e condenado o cineasta ao pagamento de R$ 100 mil por dano moral coletivo às comunidades indígenas. Naquela ocasião, o TRF entendeu que “o discurso transmitido na obra de autoria do Réu propaga uma mensagem dotada de conteúdo que excede aos limites do exercício da liberdade de expressão, impondo-se a responsabilização por sua veiculação, em resguardo à proteção dos direitos fundamentais violados e, em sentido amplo, ao funcionamento de todo o processo democrático”.

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Feira de Empreendedorismo de Gênero busca empoderar e dar visibilidade à Comunidade LGBTQIA+

Começa na quarta-feira (01/12) a I Feira de Empreendedorismo de Gênero (FEG), organizada pela Comissão da Diversidade Sexual e Gênero da OAB/MS em parceria com a Galeria Isaac de Oliveira.

O evento, que é gratuito, terá 30 expositores artistas e prestadores de serviços LGBTQIA+, fazendo networking, expondo seus empreendimentos, produtos e experiências, quantificando o poder econômico dessa comunidade e sua empregabilidade.

De acordo com o Organizador e Vice-Presidente da Comissão da Diversidade Sexual e Gênero da OAB/MS Henrique Dias é uma vitrine inédita em Campo Grande para dar visibilidade à população LGBTQIA+ e contribuir para a afirmação, respeito, fortalecimento e o livre exercício de sua cidadania. “A 1ª FEG é um momento importante de mostrar os empreendimentos e de afirmar que a comunidade LGBTQIA+ tem muito a contribuir no mercado da economia criativa mas, sobretudo como cidadãos conscientes de seu lugar e de seu protagonismo contra o preconceito”.

A abertura será no dia 1º, com com Begét De Lucena – destaque no cenário musical de Mato Grosso do Sul por sua voz doce e presença marcante- Voz e violão mostrando suas composições. A cantora Llez, produtora e artista visual, fará show no dia 2 e som brasileiríssimo do DJ Aruan. 

São oito painéis no Ciclo de Palestras Jurídicas, que tem como objetivo informar a população sobre os Direitos e Atualizações Jurídicas relacionados à Diversidade Sexual e de Gênero, com uma linguagem simples e objetiva.

A 1ª FEG acontece presencialmente, das 16h às 20h, na Galeria Isaac de Oliveira, localizada na Av. Antônio Teodorowich 119. – Carandá Bosque. A entrada é 1 kg de Alimento (não perecível), que será doado para o Projeto Geladeira Solidária. 

Veja a programação:

Dia 01.12.2021:
Transmissão Via Youtube – endereço https://youtu.be/-tbiwBCriCU

08:15 Abertura – Virtual
08:45 Painel 1 – Direito de Famílias Homoafetiva
10:00 Painel 2 – Crimes de Racismo e Sorofobia
14:00 Painel 3 – Mercado de Trabalho, Previdência e Aposentadoria no âmbito Homoafetivo
15:15 Painel 4 – Crimes de Homofobia e Projetos de Lei. 

Dia 02.12.2021:
Transmissão Via Youtube – endereço https://youtu.be/wZLj52O0WZc

08:30 Painel 5 – Educação em Sexualidade
09:45 Painel 6 – Importância da Economia LGBTQIA+
14:00 Painel 7 – Intercâmbio de Trabalhos Jurídicos
15:15 Painel 8 – Direito à Identidade e Identificação

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